9 de março de 2011

Cerato Koup: o forte é o visual

Fabio Aro e Guilber Hidaka
Veja esse cupê aí da foto e me diga se você não acha que ele voou na pista. O para-choque frontal tem uma grande entrada de ar, que lembra boca de tubarão – coisa de esportivo bravo. Mais uma dica: em vez de motor 1.6, como o Cerato sedã, o Koup recebeu mecânica 2.0 de duplo comando e 156 cavalos. A traseira tem extratores de ar – como nos superesportivos. E a lateral destaca as curvas de um belo cupê de duas portas e rodas de aro 17.
Mas aí a gente abre a porta e percebe que a maioria dos sinais de esportividade ficou do lado de fora. Por dentro, o Kia Koup é muito mais um veículo estiloso e confortável do que esportivo, apesar das pedaleiras de alumínio e das grandes borboletas para troca de marcha no volante. O câmbio automático, por exemplo, tem seis marchas, mas não oferece nem modo esportivo. E quando a gente aperta o botão de ignição ouve um ruído bem abafado, típico de automóvel que privilegia conforto.
Fabio Aro e Guilber Hidaka
Os pneus largos (215/45), cal;ados em rodas aro 17, garantem boa estabilidade nas curvas rápidas
Na pista, o Kia Koup comprovou as primeiras impressões obtidas na avaliação da edição de dezembro. Ele não tem desempenho para encarar o Civic Si (e também não anda tanto quanto o visual sugere), mas é um carro agradável, silencioso e muito bem acabado. Cumpriu a prova de 0 a 100 km/h em 10,4 segundos.
Com câmbio manual, a história certamente seria diferente, mas a transmissão automática cobra em desempenho o que oferece em conforto. Na falta da tecla que aciona o modo esporte (comum mesmo em veículos automáticos sem pretensão esportiva), a programação mais “forte” é obtida quando se muda a alavanca para o modo manual. Nesse caso, automaticamente ocorre redução de uma das seis marchas. As mudanças também podem ser feitas pelas grandes alavancas no volante.
Fabio Aro e Guilber Hidaka
O 2.0 de comando duplo variável é bom, mas na pista o cupê foi contido na performance
Se não é tão puro-sangue como o visual e a cor insinuam, por outro lado o Koup é um carro agradável de dirigir. A posição ao volante é boa, e os comandos estão onde se espera que eles estejam: são intuitivos e de fácil alcance.
Como o Cerato sedã, o Koup não tem suspensão independente na traseira (eixo de torção), mas o modelo mostrou bom comportamento nas curvas, auxiliado pelas rodas aro 17 e pneus 215/45. Nas provas de frenagem, o cupê também se saiu dentro do esperado para um automóvel com disco nas quatro rodas e ABS: 80 km/h a 0 em 26,7 metros.
O painel tem revestimento macio e o acabamento é dos bons. A Kia informa que o modelo chegará recheado de itens de série, caso de airbags frontais e laterais (de cortina), ABS, controle de estabilidade (ESP), computador de bordo, ar-condicionado digital, partida sem chave, som com seis alto-falantes, etc. Falando neles, os dois falantes das portas têm moldura iluminada, que pode alterar a intensidade do brilho de acordo com o som. Particularmente, não vi muita utilidade nisso, mas meu filho certamente gostaria da brincadeira.
Fabio Aro e Guilber Hidaka
Apesar dos detalhes vermelhos e das pedaleiras de alum[inio, o interior do Koup é discreto
Embora seja um cupê de duas portas, o acesso ao banco traseiro é fácil, e o espaço atrás é decente. Isso porque o entre-eixos, de 2,65 m, é bom (igual ao do Cerato sedã). Mesmo utilizando a plataforma do sedã, o Koup é 5 cm mais curto (4,48 m) e 6 cm mais baixo (1,40 m). Outro ponto positivo está no porta-malas: para um cupê, os 357 litros (declarados) estão de bom tamanho. A Kia ainda não definiu a data do início de vendas do modelo por aqui. Embora não haja previsão de preço, estima-se que ficará em torno de R$ 80 mil.
Fabio Aro e Guilber Hidaka
As molduras dos alto-falantes são iluminadas

GM faz prévia da nova S10

General Motors
A General Motors divulgou hoje a primeira imagem de sua nova picape global. O teaser revela um pedaço da dianteira do modelo, com direito a grade dianteira, lanterna e o desenho de parte das portas, tudo atendendo à nova cara da marca pelo mundo, com traços já utilizados no Cruze e no Captiva. A picape será apresentada no Salão de Bancoc, no dia 25 de março, antes de seu lançamento na Tailândia. Na ásia, ela será vendida sob o nome Colorado.
No Brasil, a nova picape deverá assumir o lugar da veterana S10, e brigar no mercado com Toyota Hilux, Ford Ranger, Mitsubishi L200 e VW Amarok.

Uno Sporting fica devendo a cereja do bolo

Fabio Aro e Guilber Hidaka
Esse é o carro que a Fiat sonha em ver nos estacionamentos das faculdades e barzinhos: uma opção barata de esportivo para o público jovem, que chega ao mercado a partir de R$ 33.970. O Uno Sporting nasceu para quem prefere um look esportivo em vez do aventureiro Way. E a receita visual deu certo novamente. O carro ganhou saias laterais, dianteira e traseira, além de um discreto aerofólio na cor preta, que combina com as molduras dos para-lamas da mesma cor. As rodas aro 15 completam o visual arrojado. Eu dispensaria apenas o longo adesivo na parte inferior das portas, ostentando o nome da versão – uma tentativa de remeter ao Uno R dos anos 80 e 90.
O preço é tão atraente quanto o visual, mas será que o desempenho é igualmente interessante como nos Unos esportivos do passado? Se você também esperava pelo motor 1.6 16V E.torQ de 117 cv, pode tirar alguns cavalinhos da chuva. Exatos 29 cv separam o motor 1.6 do Fire 1.4 Evo escolhido para empurrar o Uno Sporting, vindo da versão Attractive. Com 88 cv e 12,5 kgfm a 3.500 rpm (etanol), o desempenho está longe de empolgar, mesmo com a relação de câmbio mais curta (mesma do 1.4 Way). A Fiat não permitiu que tirássemos números do Sporting ainda (o carro era um pré-série), mas podemos afirmar que ele anda na mesma balada do Atrractive, que cravou 13,1 s na aceleração de 0 a 100 km/h. Portanto, a emoção ao dirigir é limitada pelo motorzinho, que ainda peca por ser bastante ruidoso e áspero em altas rotações. O ponto positivo da mecânica fica por conta da suspensão, que, aliás, poderia ser estendida a toda gama Uno.
Fabio Aro e Guilber Hidaka
Cor Laranja Nemo foi inspirada no famoso peixinho do cinema
O conjunto ficou bem acertado. Segundo a Fiat, a nova suspensão é 2 cm mais baixa e traz molas mais rígidas, uma intervenção para diminuir a inclinação da carroceria. A barra estabilizadora dianteira tem maior diâmetro, enquanto o eixo traseiro ganhou maior rigidez torcional, garante a montadora. As mudanças surtiram o efeito desejado: o carro ficou mais firme nas curvas e desvios, sem balançar tanto ou comprometer o conforto, mesmo em altas velocidades – fato comprovado por nós na pista. Ah, se tivesse o 1.6... As rodas maiores (aro 15) com pneus 185/60 também contribuem para o melhor comportamento.
Fabio Aro e Guilber Hidaka
A Fiat mexeu em tudo, menos no fundamental: motor 1.4 Fire não combina com versão esportiva
Outra atração fica por conta da nova opção de cor laranja Nemo – isso mesmo, inspirada no peixinho que ficou famoso nos cinemas. E o apelo visual não para por aí. No interior, o logo Sporting está no painel e nos bancos, que podem vir com um revestimento em tom de laranja como no modelo avaliado, além de revestimento de couro no volante e costura em laranja (o pacote sai por R$ 297). O ar-condicionado é opcional como nas demais versões, e seus comandos são na cor laranja, enquanto o console é cinza carbono. Para completar, o Sporting vem de série com computador de bordo, item inédito na linha Uno.
Com tudo a que tem direito, a versão Sporting (que a Fiat considera uma série especial ilimitada) sai por pouco mais de R$ 40 mil. A montadora prevê que o modelo represente 2,5% das vendas do Uno, algo em torno dos 500 carros/mês. Não espere um esportivo de verdade, mas se a grana é curta e a ideia é andar com estilo, pode ser uma boa escolha. Aqui na redação, a opinião foi unânime: o bolo é bom, mas cadê a cereja?
Fabio Aro e Guilber Hidaka
Caracterização esportiva inclui aplique cinza no painel, volante de couro e detalhes em laranja